quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Ode às sapatilhas vermelhas

Vermelho é a minha cor preferida. Menos para batons. E calças também, visto que antes de nascer eu devo ter pedido pra vir com a bunda avantajada. Apesar disso, já tive uma calça vermelha. Antes, MUITO antes da moda Restart. Aliás, faz tanto tempo que parece que foi em outra vida. Enfim. Eu queria falar de calçados.

Eu era pequena, bem pequena mesmo, quando dei por mim que gostava de sapatos. Muito provavelmente porque eu passei alguns longos anos da minha vida usando botas ortopédicas. E era feio. Bem feio. Mas eu, do alto dos meus 4 anos, não pensava nisso. Eu pensava mesmo era na hora da refeição (queria fugir pra China nessas horas, se pudesse - eu era uma criança avessa à comida). Mas, claro, não é nada fácil viver e mais difícil ainda CONVIVER. Do alto de meus 4 anos de vida, eu na escola, já sabia ler e escrever. E já passava por situações cujas quais me deixavam pensando POR QUE, meu Deus, exatamente, eu vim parar aqui. Tipo quando meus colegas de escola diziam que meus sapatos eram feios. Sim, eu sofri bullying. Por usar botas ortopédicas. E foi TÃO ruim sofrer isso aos 4 anos de idade, que até escrevendo essas linhas aqui, vinte e tralalá de anos depois, eu ainda sinto um pouco da angústia que sentia quando alguém comentava dos meus sapatos. Eu, neném, recém nascida nesse mundo cão, ainda não sabia me defender. Mas com certeza se a vida fosse essa coisa de Benjamin Button e se aos 4 anos de vida eu já fosse tão experiente quanto hoje nessa coisa de lidar com seres humanos, com certeza eu teria tirado aquelas botas ortopédicas pesadíssimas pra dar com aquele solado de madeira bem na cara de quem comentava com maldade a respeito delas.

A meu favor tenho a dizer que aquele bullying (vai tirar sarro de QUALQUER pessoa que use ao menos um aparelho dentário hoje! Capaz de ser processado por danos morais, independente da idade do agressor!) me ajudou no início de meu aprendizado a respeito de como lidar com essa raça que se diz inteligente. E mais: hoje eu tenho os pés mais lindos que alguém poderia ter. E é a opinião geral da nação que tem o prazer de desfrutar da minha beleza.

Passei longos anos (acho que uns três) usando daquele negócio feio que eu não tinha reparado antes, mas que os mini-energúmenos que estudavam comigo naquela época fizeram o favor de fazer com que eu reparasse nisso. E me importasse. Muito. E então nessa época eu já reparava nos pés das pessoas. Nas pessoas da minha idade, principalmente. Nas meninas, quase sempre. Que usavam aqueles lindos sapatinhos envernizados (porque ninguém usava tênis naquela época - ainda não havia produtos importados no Brasil, gente) que hoje só se usa em casamentos ou ocasiões especiais. Mas os sapatos naquela época já eram lindos. Pra mim, principalmente. Que tinha um par de botas ortopédicas preto e um branco. Eu olhava nos pés das coleguinhas e babava nos sapatos. E então meu mundo caiu quando a febre geral da nação foi a Melissinha.

Aos 6 anos, eu me lembro como se fosse ontem, eu fui ao ortopedista que olhou meus pés e disse que nunca mais eu precisaria usar daquelas botas. E essa talvez tenha sido a primeira das alegrias da minha vida. Agora eu poderia abusar de todos os sapatos e sandálias que pudesse do mundo todo. E pedi uma Melissinha. Mas esse mundo não é justo, já diria Amy Winehouse aos 10 anos, e eu descobri que tinha alergia de sapatos de plástico. E a Melissa foi-se embora quase que pra sempre da minha vida. Quase. Porque esses dias eu comprei a primeira Melissa Aranha da minha vida.

Mas aos 6 anos de idade, eu precisava calçar algo nos pés. Tênis era uma coisa que não existia (Fernando Collor só liberou o comércio internacional em 1991), eu não podia usar sandálias de plástico e meus pais não eram lá muito bem de vida a ponto de eu poder ter muitos sapatos. Então eu pedi pra minha mãe uma sandália de tirinhas. Vermelha. Porque eu tinha visto em alguém. Não satisfeita, pedi uma bolsa. Com listrinhas vermelhas. Porque eu também tinha visto em alguém. E lá naquela época começou a minha paixão por vermelho.

De lá pra cá eu quis muita coisa vermelha. Muita mesmo. Mas na época de usar a minha sandália de listrinhas, era obrigatório usar uniforme na escola. Mesmo nas escolas públicas, o que era o meu caso. E o tênis fazia parte do uniforme. E aí mesmo antes do comércio internacional e mesmo antes desses tênis de marca que bombavam (e que perigava a galera voltar só de meias pra casa), a gente usava uma coisa tipo isso. Ou isso. E aí voltei eu para a obrigação de usar calçados ridículos (mas se lembrar das saias azul marinho pregueadas com short vermelho - ao menos era vermelho! - bufante por baixo aí sim me jogo da ponte).

Daí um belo dia eu acordei em 1998. Na faculdade. Fazendo estágio. E precisando usar algo mais plausível nos pés. E então comprei scarpins. Que, dentre todos os modelos de sapatos, eu prefiro. Acho elegante, gosto dessa coisa com salto fino e bico. Eu não nasci para usar sapatos plataforma. E então, minha gente, Marta Suplicy ainda não tinha sido eleita pra trocar toda a calçada da Avenida Paulista. E eu camelei, muito-muito-muito mesmo, em trajetos entre a faculdade e os estágios que tive, por entre aquelas pedrinhas do hell que sempre foram o calçamento da avenida mais importante da cidade. E mano, não era fácil. Pegar ônibus, andar-andar-andar, subir e descer escada. Do alto de toda a minha elegância em scarpins, lá pelas 2 horas da tarde eu já tava querendo que o mundo acabasse em bomba atômica. Não era fácil não. E gente, quer me tirar do sério é eu estar com o pé doendo. Pé doer por causa de sapato está no topo da minha lista de coisas que me deixam de mau humor. Sério. Vontade que o mundo acabasse só pra eu poder parar pra tirar aquela porra de sapato que machuca do meu pé!

E então alguém (que deve ter sido mulher) inventou (ou re-inventou, não sei) a moda das sapatilhas. E aí mudou a minha vida. E então de repente eu usava aquilo que era bonito e confortável. Que combinava tanto com o jeans que eu usava na faculdade, quanto com a roupa social que usava no estágio. Combinava tanto de dia quanto de tarde. E à noite, no começo eu até ia de salto. Elegante, claro. Mas com dois poréns: 1 - NÃO DÁ pra dançar de salto nessa vida. Juro que acho insano quem faz isso. Depois de 15 minutos eu já tenho vontade de todo aquele lance da bomba atômica e tals. E 2 - Eu sou uma mulher alta. 1,72m, pra ser mais precisa. E devo dizer que há poucos homens compatíveis comigo nesse quesito. O mundo é dos baixinhos. E daí entro eu, na balada, do alto de meus 1,72m, olhando somente para homens que eu enxergue acima da linha do meu nariz. E aí vem a decepção: vai ter só uns 2. Muito provavelmente, acompanhados de alguma baixinha de 1,50m.

Sapatilhas são a opção pra proteger os pés (na aula de dança, principalmente). São a opção pra quem não teve tempo de fazer as unhas. E pra quem tem pé feio, porque até quem tem pé de pato fica menos horroroso se usar sapatilha. E a gente que vê de fora também não precisa morrer de horror como morre quando vê uma mulher usando sandálias menores que os pés e com os dedos caindo pra fora. E calos. E formatos de unha horrorosos, mais curvados que de gavião. Eu, apesar de ter pés lindos, odeio gente olhando pra eles. E adotei as sapatilhas para ir à balada TAMBÉM. E pra ir na aula de dança. E em eventos sociais. E em passeios no shopping. E ao cinema. Teatro. Museu. E pra tomar sorvete. E pra buscar a pizza na portaria. E pra ir ao parque. Almoço em família.

Sapatilhas foram uma das melhores invenções da face da terra. Mas as vermelhas, mais. Porque vermelho é a minha cor preferida. Porque eu não consigo olhar uma sapatilha vermelha na vitrine e não me apaixonar no mesmo instante. Porque sapatos vermelhos são diferentes sem deixar de ser clássico. Feminino. Porque você pode estar a maior pobrezinha e descabelada no resto do corpo, que se botar uma sapatilha vermelha vai ficar chique. Vai chamar a atenção. E chama a atenção para os pés, sem mostrá-los totalmente. Sapatilhas vermelhas são o moderno. O meigo. O delicado. E eu vivi uns 3 longos anos da minha vida sofrendo por usar botas ortopédicas, mas se tudo isso foi pra chegar aqui hoje e ter pés perfeitos que fiquem mais lindos ainda usando sapatilhas vermelhas (e eu tenho uma coleção delas)... é porque tudo valeu a pena.



sexta-feira, 16 de setembro de 2011

... foi por causa do imbecil que não soube remar ♪

Então que a Ana Lu entrou no meu carro falando do mundo maravilhoso da Livraria Cultura. Segundo ela, um local mágico para toda a galerinha, cheio de altas aventuras e ação para a turminha do barulho aprontar muita confusão.

Hm. Ana Lu. Sai de Curitiba, a terra do frio congelante e chuva que eu vejo todo dia na previsão do tempo no mapa pintado de azul. Ana Lu saiu de lá, pra chegar aqui na minha terra da garoa e das 4 estações em um dia só e com sua população cheia de problemas respiratórios. Ela veio aqui, DO LADO da minha casa, pra mergulhar em toda a curtição da Livraria Cultura do Shopping Villa Lobos. Que tipo assim, fica há uns 5 quilômetros da minha casa. E que em todo esse tempo nessa indústria vital, desde que fizeram esse shopping há, sei lá, uns 20 anos, eu devo ter entrado nessa livraria umas 5 vezes, no máximo.

Ana Lu saiu de lá da casa dela pra chegar aqui no meu shopping e me contar que entrou no mundo mágico e maravilhoso da Livraria Cultura. Com toda a empolgação que só Ana Lu sabe ter. E me fez pensar em todas aquelas coisas que eu sempre penso quando alguém faz uma coisa desse tipo: eu tou aqui, DO LADO do negócio, e não sei aproveitar. Cara, as pessoas precisam sair da pqp pra chegar aqui e me contar que esse lugar aqui, que fica exatamente do lado da minha casa, é fantástico. Pra que eu possa levantar a bunda da minha cadeira e enfrentar trânsito e poluição e macacos motorizados pra conseguir chegar ali e aproveitar também desse lugar que sempre esteve aqui, mas que eu nunca tive a empolgação merecedora para tal ato. E que, mesmo amando livros e tendo entrado outras vezes nessa e em todas as outras livrarias da zona sul da cidade, só agora, depois de ouvir tamanho relato empolgante saído da boca da Ana Lu, eu consegui entrar naquela livraria já querida mas nem tanto AMADA e me deliciar TANTO com as preciosidades que encontrei por lá.

Ontem eu fui na Livraria Cultura e fali. Fali e fali bonito. E só não fali mais bonito ainda porque uma das coleções de livros que eu queria não estava completa lá. E mais: me controlei muito. MUITO mesmo. Pra não pagar os olhos da cara em séries de tv completas e históricas que têm lá, só lá, e em mais nenhum outro lugar dessa cidade. Força interior, não tem outra explicação.

E então que, eu lá, enfiada nos corredores mais escuros e mais escondidinhos, atolada de livros nos braços e sorriso no rosto, uma hora sentei pra descansar. Do lado da amiga que, como sempre, carregava os livros mais bizarros que alguém pode encontrar. Já quase no finalzinho do horário pra loja fechar, chega ela com um livro chamado Como fazer alguém se apaixonar por você em até 90 minutos. Eu, curiosa a respeito do que exatamente estava escrito sobre isso no livro (imaginei algo tipo maconha+cocaína), peguei para folhear. E eis aqui o trecho que, me desculpem, eu até tirei foto pra poder depois escrever aqui e compartilhá-lo com vocês:

"Imagine que você terá de passar o resto de sua vida em um barco a remo. É um barco grande, portanto é necessário que duas pessoas remem para que ele continue se movimentando. Você e o outro remador devem decidir qual direção seguir, devem remar com o mesmo ritmo e a mesma velocidade e se contentar em ficar cada um do seu lado do barco - caso contrário, andarão em círculos até enlouquecerem."

Daí que o xis da questão no livro era dizer a respeito da importância de se escolher bem alguém para um relacionamento amoroso. Eu, claro, me imaginei na situação. Eu lá, bonita, barco limpinho, envernizei meu remo, coloquei galochas pra não molhar o pé, prendi o cabelo em um rabo de cavalo pra não atrapalhar, levei lancheira, lenço de papel, protetor solar, palavra cruzada e lixa de unha. E então eu estou toda lá preparada pra remar e chega, infelizmente, o meu parceiro de remo. E então eu, que me conheço, até já sei. Vou olhar pra criatura e pensar 'ih, não vai saber'. Ou 'ih, é fraquinho, não vai conseguir'. Ou 'ih, esse aí não conseguiu nem limpar o nariz, será que ele sabe o que é um remo?'

Mas tá, que o livro dizia que o barco tinha que ser remado por dois (e infelizmente eu com certeza já haveria tentado remar sozinha e vi que apesar de todo o meu esforço não tinha saído do lugar), então eu teria que dar uma chance à criatura. 'Remar você sabe, né?' já me imagino perguntando a ele. "Ôpa, claro, sou maravilhoso nisso", coisa que todo homem diz, mesmo sem saber quanto é dois mais dois. 'Tá, vamo lá então, pega aê seu remo', eu finjo que acredito na afirmação dele, não sem antes dar as minhas coordenadas sobre como remar e pra onde. "Xá comigo, gata", ele vai dizer. Eu com certeza sentarei no meu lugar respondendo 'AHAM', com misto de sarcasmo e incredulidade, olhando-o de cima a baixo.

E então consigo claramente me imaginar, alguns segundos depois, olhando para o indivíduo cheio de empolgação e vontade, e imaginando que porra é essa que ele tá fazendo que nós, além de não sairmos do lugar, ainda estamos girando. Até enlouquecermos, como disse o livro. Ou até que EU enlouqueça, visto que não há como provar que essa criatura que os céus selecionaram pra me ajudar a remar tem, realmente, um cérebro que possa enlouquecer. E então nesse momento eu me lembro que as regras do livro foram claras e disseram que cada um deve ficar no seu lugar, do seu lado do barco. Lógico, já que os dois de um lado só fariam mais peso que resultaria no bagulho todo virado e nós dois na água abaixo. Então, infelizmente, eu não posso ir lá e dar uns tapas no infeliz pra ver se acorda. Mas o livro nada disse a respeito de sobre o que falar.

E então, meus amigos, eu estou cá a imaginar a cena. Eu lá, toda pomposa, calça jeans e blusa de florzinha. O boca-aberta do meu parceiro de remo cá, babando, fazendo tudo errado e ainda jogando água em mim, o que felizmente é só água porque eu esperta já teria me esquivado várias vezes do remo que com certeza já teria vindo bem perto da minha linda cara. A minha grande vontade seria mesmo levantar aqui do meu lugar e ir lá enfiar um pedala na cabeça dele pra ver se fica esperto. Mas além de não poder, vejo daqui que ele baba no remo e que com certeza nem assim o indivíduo se daria conta da situação em que estaríamos. E então, nobres senhores, primeiro eu vou analisar a situação como um todo. Objetivo: remar pra sair do lugar. Alguém falou alguma coisa a respeito de pescar? Não. Isso quer dizer que se eu gritar e espantar os peixes, isso nada tem a ver com minha meta a alcançar, certo? Certo. Ok.

Vou recapitular pra vocês lembrarem da situação toda: "Imagine que você terá de passar o resto de sua vida em um barco a remo. É um barco grande, portanto é necessário que duas pessoas remem para que ele continue se movimentando. Você e o outro remador devem decidir qual direção seguir, devem remar com o mesmo ritmo e a mesma velocidade e se contentar em ficar cada um do seu lado do barco - caso contrário, andarão em círculos até enlouquecerem."

E então, minha gente, devo dizer pra vocês que enquanto eu lia esse trecho do livro e minha mente já imaginava tudo isso que relatei aqui pra vocês, no fim do parágrafo eu já tinha no meu imaginário toda a resposta a respeito da atitude que eu tomaria. E eu preciso deixar aqui registrado pra vocês algumas das minhas opções de conversa civilizada que com certeza eu teria com esse energúmeno que botaram pra ser meu parceiro de remo:

1 - Anda logo, sua anta, não tá vendo que o negócio tá rodando?

2 - Tô ficando tonta e vou vomitar em você.

3 - Eu tenho o dia todo, viu?

4 - É pedra aí onde você tá batendo o remo, museu. Não te disseram que quem rema, rema na água? Isso aqui não é jo ken po.

5 - No lugar que você fez curso de remo estava escrito 'aula de voo para patos'?

6 - Da próxima vez que você me jogar água com esse remo, eu aviso que o meu vai escapar da minha mão e que, acidentalmente vai acertar bem para o meio dessa sua cara.

7 - Se você deixar o barco virar, já sabe onde que eu vou enfiar esse remo, né?

8 - Você limpa a bunda com essa mesma eficiência?

9 - Você já pensou na possibilidade de morrer afogado?

10 - TCHIBUM! (todas as opções descritas ou ocultas resultariam nessa onomatopéia)


A canoa virou por deixá-la virar...

Por essas e outras que eu não passo perto da prateleira de livros de autoajuda. Porque se eu levasse um papo com qualquer um desses autores desse tipo de livros os encontraria depois, com certeza, com a pedra amarrada no pescoço e prestes a se jogar do Rio Pinheiros. E ainda daria um empurrãozinho.


Sou mesmo uma flor.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Sobre Zumbis

Eu gosto de zumbis. Sei que para o mundo sair da onda dos vampiros deu-se mais ênfase aos zumbis em 2010, mas foi exatamente ontem que eu estive pensando no assunto. Pensando em zumbis. E eu vou com a cara deles, sabe? Nem é uma coisa assim recente que eu estou na modinha nem nada. E assim como meu gosto por vampiros vem desde a época de Entrevista com Vampiro (muuuuito anterior a Crepúsculo e The Vampire Diaries e True Blood), meu gosto por zumbis vem de tempos já. E eu acho bom gostar de zumbis. Tipo que não sinto aquela vergonha alheia que sinto sempre que assisto filmes com ETs. Aquela decepção fora do comum que eu senti quando assisti Independence Day. E em Contatos Imediatos de Terceiro Grau. E em 2001: Uma Odisséia no Espaço. E sei lá, O Milagre Veio do Espaço e Cocoon são belezinhas porque são clássicos de Sessão da Tarde dos anos 80 e E.T. é de Spielberg, mas eu tenho cá comigo a opinião de que talvez tenha feito sucesso só pela excelente atriz que Drew Barrymore já era, apesar de não ser dela a célebre semi-frase "et-telefone-minha-casa", então não consigo considerar como sensacionais esses três filmes sobre extraterrestres. Assim como MIB, não são filmes sérios sobre o assunto. E eu ainda não assisti Distrito 9, mas por toda a minha experiência em Guerra dos Mundos (o filme só foi bom porque no cinema eu estava fazendo algo melhor do que assisti-lo) e, meodeus, Sinais (100% de decepção depois que aparece o et), devo dizer que sempre vou achar filmes com extraterrestres ridículos. Porque eu acho, sabe? E esse é só o grande motivo pelo qual eu nunca na minha vida assisti um episódio sequer de The X-Files, apesar de saber que todo mundo ama. Eu ODEIO filmes de extraterrestres. Mas ok, toda regra tem sua exceção: toda a trilogia (ou quadrilogia) de Aliens está no topo da minha lista de melhores filmes de todos os tempos. Tia Sigourney Weaver arrasa (e está no topo da minha lista de melhores atrizes). E bom.. Star Wars é um filme sobre extraterrestres também, não? (Sou fã do Chewbacca e do Jar Jar, precisava falar deles! xD).

Mas esse post é sobre zumbis. E eu devo dizer pra vocês que, na minha opinião, um dos melhores filmes de terror de todos os tempos é Madrugada dos Mortos (claro, depois de Poltergeist, em uma época em que Carol Anne já morria de verdade enquanto Samara ainda fazia curso de teletransporte poço-televisão). Sei que eu penso muito, muito mesmo, sobre como seria se o mundo acabasse em zumbis e eu ficasse presa em um shopping. Acho sensacional a sensação de pensar que tem que ser um shopping que tenha um mercado (de preferência Pão de Açúcar - porque lá tem ketchup Heiz) e uma livraria tipo Cultura ou Saraiva. E tá, que uma loja de colchões também é importante. E aí ôpa que eu resolvi procurar aqui agora no Google qual seria o shopping mais simpático para minha estadia caso o mundo acabe em zumbis e achei: Shopping Villa Lobos. Com Pão de Açúcar e super Livraria Cultura, cujos dvds eu poderia muito bem assistir lá no Cinemark, e ainda de frente para o Rio Pinheiros, para os dias que eu quiser treinar tiro-ao-zumbi-no-rio sentada no telhado do shopping.

Daí que eu estava ontem lendo o post dele e me lembrei de outro filme sensacional no quesito "o mundo acabou em zumbis e só sobrou você": Eu Sou a Lenda. Claro, com zumbis ridículos e o ridículo efeito computadorizado, mas mesmo assim a idéia geral é bacana. Mas sei lá, pra mim essa coisa de ficar em casa com o cachorro ouvindo Three Little Birds e poder sair na rua mas correr o risco de encontrar um zumbi de computação gráfica a cada sombrinha talvez seja meio que depressivo demais. Viver perigosamente não é comigo, eu ainda ficava com o conforto do shopping center. E eu não sei exatamente porque nunca assisti os clássicos A Noite dos Mortos Vivos, A Volta dos Mortos Vivos e Despertar dos Mortos, e apesar de [REC] ter deixado muito a desejar no quesito 'filmes bons de zumbis', Resident Evil é um filme muito legal com zumbis muito legais - mesmo sendo baseado em um jogo (porque filmes baseados em jogos são ridículos e vice-versa).





E se nunca na minha vida eu assisti um episódio de The X-Files, devo dizer pra vocês que assisti o primeiro episódio de The Walking Dead assim que saiu a legenda em português pra baixar. E que apesar de ter tido só 6 episódios na primeira temporada, assisti cada um semana após semana e não vejo a hora de começar a segunda. Claro que, em matéria de séries nada supera a minha paixão por Lost (salve-salve!), mas espero muito-muito-muito mesmo que The Walking Dead cresça no quesito trama e qualidade tanto quanto. Não que precise de muito: os primeiros minutos do primeiro episódio da primeira temporada foram os melhores e fundamentais para que eu quisesse assistir a série. Tanto, que a vi em casa, sozinha, no computador, à noite e de costas para a porta. E gente, mudando de pato pra ganso mas ainda me mantendo no assunto séries de tv: e o episódio SENSACIONAL da sétima temporada de House com seus companheiros zumbis??? Desculpaí pípou que minhas séries preferidas passam longe de tramas cotidianos sobre relacionamentos pessoais. Na próxima encarnação prometo vir meiga. ;)

E o que dizer de meus aplicativos de iPhone? O primeiro que eu baixei foi ZombieBooth, que transforma fotos normais em zumbis, que rosnam e se mexem e mordem seu dedo quando você coloca na tela. Daí que a primeira foto tirada no meu iPhone foi minha. E fui transformada em zumbi, linda-linda. E o plus: é possível transformar todas as fotos de todos os contatos do telefone em zumbis. Sensacional. E seguindo meu gosto por zumbis, o primeiro joguinho que baixei no iPhone se chama Angry Zombies, em cujo qual eu já transformei toda a população do mundo todo, dividida por países, em zumbis. E devo dizer: o Brasil foi o mais fácil.





E, como esquecer: dia desses a amiga comentou que queria que tocasse Don't Stop Me Now, do Queen, em seu velório. E eu, LÓGICO, comecei a pensar qual música queria no meu. Rá, adivinhe. Qual mais teria feito tanto parte da minha vida e, em meu velório, seria tão legal por ser tão real? Não demorei a dizer. No meu velório vai tocar Thriller, galera. Vão treinando a coreografia pra me acompanhar!


Michael, querido. Agora que tava bom pra levantar do túmulo e fazer dancinha, hein?




Em tempo: eu não hesitaria em fantasiar meus filhos desse jeito (a primeira é a melhor).

E mais: isso deve ser pecado. Mas eu tinha que compartilhar.





Tão fofo o meu blog, né? xD


PS: Preciso URGENTE de uma festa pra ir fantasiada de zumbi.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A gente colhe o que a gente planta

*título por Mayra

Felicidade é passar dias felizes fazendo coisas felizes com pessoas felizes. Felicidade é ter aquela amiga linda que vai montar quebra-cabeça com a gente e comer o que quer que seja e falar sobre o que quer que seja e que no fim do dia a gente não quer que ela vá embora. Felicidade é conhecer a amiga virtual fofa, e ter a certeza de que, pessoalmente, ela é muito mais amiga e muito mais fofa que o esperado. Felicidade é ver o pai da gente na casa da gente falando cheio de orgulho para o primo que "olha como a minha filha é caprichosa e organizada". E o primo, por sua vez, exclamar "a sua casa é maravilhosa porque a sua energia é maravilhosa". E então você pensar e lembrar de todos os amigos que chegam lá e se sentem bem e dizem tantas outras coisas do mesmo tipo. Ser feliz é ter a casa da gente, do jeito da gente e amigos que apesar da reclamação a respeito do tamanho e da distância da lixeira do banheiro, ainda se convidem pra dormir em casa, nem que seja no tapete. E outros que dormem no tapete, literalmente. Felicidade é ter poucos amigos, porém fiéis. Que gostem da gente apesar de tudo. E que concordem absolutamente que o lugar de maior felicidade na casa da gente é a cozinha. Amigos que disputam, cada um a seu gosto, o prato preferido que comeram lá. E os pratos que ainda comerão. Amigos que vão só às vezes porque moram longe. Amigos que nunca tinham ido e da primeira vez que foram não queriam mais ir embora. Amigos que eu ainda vou colocar sentadinhos no sofá pra assistirem Dirty Dancing porque nunca viram. E os que já viram mas vão querer ver de novo tamanha a vontade de apenas compartilhar o momento. Amigos que vão sempre e que sempre querem ir. E gente que comete o absurdo de me influenciar a ponto de eu cogitar morar junto.

Felicidade é ver a mãe da gente caçando plantas no próprio quintal pra colaborar para a decoração da casa Jumanji que a gente sempre quis ter. É ir ao cinema em plena quinta-feira assistir um filme estranho com gente esquisita, porém muito amada. E segurar a vontade de rir por medo de apanhar. Felicidade é ter amiga virando mãe e mandando mensagem de "parabéns titia". E segurar o pequeno serzinho com apenas um dia de vida nos braços e compartilhar da imensa alegria dos amigos pais. Felicidade é fazer de um simples hambúrguer com milkshake e de um simples chão de uma livraria muito mais que isso. E poder compartilhar o momento com amigas mais antigas e completar um belo clube de Luluzinhas de gente que não se conhecia pessoalmente mas que se identificou na hora. É não querer ir embora, é não querer que ninguém vá embora. É acordar no dia seguinte pensando em como foi divertido. Em como as pessoas do meu convívio são especiais. E em quanto os "novos" amigos também são. É pensar nos motivos pelos quais essas pessoas circulam pela minha vida e chegar a uma grande lista cheia de qualidades de cada um. De cada uma. É me orgulhar pela inteligência e pelos pensamentos compartilhados de cada pessoa que me cerca. Pela doçura de cada um. Pelo carinho. E pelo tanto que eu queria colocar todo mundo em um potinho.

Eu sou tão feliz. :~



Ana Lu. A mais fofa ex-amiga-virtual-agora-muito-real.
(já falei que ela é magra de ruindade?)

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

#10,5 Dream

Estava eu hoje de manhã ouvindo o rádio enquanto dirigia até o trabalho (quase morri por estar cantando e fechar um caminhão enorme) e pensei. Que incrível. Ando pensando tanto em músicas que talvez esse blog um dia se torne musical, como o do @_pozzi. Mas veja bem: música talvez seja a minha arte preferida. Capaz de nos fazer ter as mais diversas sensações com o simples fato de ouvir alguém exercitar as cordas vocais (lembrei que eu tava querendo morrer no domingo enquanto algum vizinho ouvia axé). Enfim, pensando eu a respeito de músicas, cheguei à conclusão que todas as músicas que falam sobre sonhos que eu já ouvi até hoje, acabei gostando. Claro, as da variante rock/pop somente, que é só o que eu permito que meus ouvidos ouçam, para que meu cérebro permaneça são. E então que eu sei que a maioria de vocês nem é tão ligado em música assim e muitos outros nem são acostumados a ver clipes e nem gostam e tal. Mas hoje eu quis vir aqui contar pra vocês e mostrar quão lindas são todas as músicas que falam de sonhos.

Sonho. Nem é minha palavra preferida, nem em português nem em inglês. E eu nem gosto daquele doce mole e com aquele creme amarelo no meio. Sei lá, meio que me afoga. Mas no fundo, bem lá no fundo... talvez eu seja uma pessoa sonhadora. E sou feliz por isso. Triste é aquele que não sabe sonhar.

Para os sonhadores: ouçam as musiquinhas! Vale a pena. :)






All I Have to do is Dream, Everly Brothers - a qualidade da música deixa a desejar e o vídeo preto e branco mais ainda. Mas vejam bem: 1961, gente. A Segunda Guerra Mundial ainda estava fresquinha na mente e ninguém nem sonhava em ir à lua ainda. Minha mãe tinha 1 ano de vida e meu pai 3. E chegam os caras jovens porém com aparência sofrida (com terno, porque naquela época não devia ser permitido nem dormir trajando nada que não fosse terno) cantando sobre SONHAR, gente. :~ Com versos inocentes sobre romance (igualzinho o funk proibidão de hoje ¬¬), sobre pegar a mocinha nos braços e sentir o gosto dos lábios. Música essa que estamos nós aqui em 2011, exatos 50 anos depois e eu aposto que quase todo mundo já ouviu essa música por aí, até os mais novinhos. Na versão original ou nas muitas regravações que ela teve, a música está aí até hoje embalando casais e nas trilhas sonoras de novelas. Jajá alguém tipo Justin Bieber regrava, vocês vão ver. Ou pior: alguma dupla sertaneja traduz. Em versão mal e porcamente feita, como eles fazem com todas as músicas. Mas a original é isso aí. Linda.






Dreamer, Supertramp - já comentei no twitter que eu gosto dessa música e vira e mexe estou com ela na cabeça. Hoje, quando eu quase morri esmagada por um caminhão, era essa que eu cantava em alto e bom som no carro. E agora, passado o momento, devo dizer pra vocês que nem assustei. Porque se eu tivesse morrido estaria cantando Dreamer, olha que poético. 1974, eu nem sonhava em vir à vida ainda, mas hoje eu canto essa música como se tivesse vivido esse tempo. Porque meus pais viveram e eu cresci ouvindo o rock de 1970 - e sou imensamente grata a eles por ter tido essa formação.






#9 Dream, John Lennon - tá. Eu sei que apesar de ter sido o mais brilhante Beatle, John Lennon fez toda uma merda na vida. E que deixou filhos e família pra se juntar a uma japonesa estranha e cabeluda que separou o quarteto (antes quinteto!) mais famoso de toda a história da música e hoje é podre de rica sem nunca ter feito nada na vida. MESMO ASSIM, eu amo todas as músicas de John e Yoko quase tanto quanto amo as dos Beatles. Acho que talvez Woman seja a música dele que mais gosto, muito mais que Imagine. E gosto das músicas dele por falarem de maneira sutil e com musicalidade tranquila a respeito dos problemas do mundo e da necessidade de sermos alguém além dessa coisinha terrena e cheia de conflitos que somos. John pensava em algo além. Maior. Em #9 Dream (já existia hashtag, gente!), no sonho número 9, ele fala de sonhos que parecem reais e realidades que parecem sonhos. E eu tenho tantas sensações parecidas com essas na minha vida! Parece que foi ontem. Parece que foi sonho. Terá sido realidade?






Dream On, Nazareth - Nazareth foi uma banda de 1960 que durou tipo pra sempre, porque Dream On é uma música de 1982. Eu tinha dois anos. Mas o que eu lembro da banda era mesmo na época que eu tinha uns 6, 7 anos e que assistia Clip Trip com meu pai. E nos intervalos de Pink Floyd e Queen, passava assim esse momento glam com Nazareth. Propício pra passar no Clip Trip, que deve ter sido o primeiro programa de clipes que existiu muito antes da fundação da Mtv brasileira, o clipe mostra o início da era de vídeos musicais mostrando algo além da banda só tocando (início, porque Michael Jackson ainda devia engatinhar). Tá na cara (e nos dentes necessitados de aparelho) que de fato a época era o início e auge de Star Wars, o fenômeno. Em um vídeo bizarro (já existiam anões em 1980!) e com efeitos especiais bizarros, porém revolucionários para a época, O Dream On de Nazareth fala a respeito de continuar sonhando, apesar de parecer que a gente se engana quando faz isso.






Dreams, The Cranberries - Cranberries chegou na minha vida exatamente naquela época que a gente para de gostar de músicas infantis (no meu caso, Trem da Alegria e Angélica) e passa a olhar mais o mundo em volta e reparar na música pop. Era aquela fase de pré-adolescência e as minhas amigas gostavam de Cranberries, Roxette, The Cardigans e outras bandas pop femininas da época. Foi nesses mesmos anos que eu passei a amar Bon Jovi, mas ali bem no comecinho eu também compartilhava do gosto musical das amigas, porque eu ouvia muito. Dreams de Cranberries diz exatamente o que se passava comigo na época: mudanças. E apesar delas, a esperança de que sonhos se realizassem, mesmo não sendo exatamente o que pareciam ser.







Sweet Dreams, La Bouche - veja bem: La Bouche foi um grupo alemão de eurodance. E eu só descobri isso agora, ali na Wikipédia, 15 anos depois. Concluindo: um grupo alemão de eurodance já foi o meu grupo musical favorito. Em 1994, quando eu tinha 14 anos, no auge da oitava série de um colégio onde esse era o último ano e eu dizia de boca cheia que era veterana. Que eu sempre quis ser. Mais velha que todo mundo, da temida oitava série. Nessa época eu tinha o primeiro amor platônico da minha vida. Fernando, que arrumou o primeiro emprego dele como promoter do Resumo da Ópera, a matinê mais famosa de São Paulo. Matinê mesmo, porque era dentro do shopping. E tudo o que eu queria aos 14 anos de vida era ir no Resumo. Que a minha mãe, claro, nunca deixou. Mesmo assim, essa foi a época da minha vida que eu passei a ouvir rádio e o meu estilo musical preferido era esse tipo de "dance", avó da eletrônica de hoje. Aos 14 anos meu grupo musical preferido era o La Bouche, e a minha música preferida era Sweet Dreams. Mesmo com o típico estilo "tou falando muito mas não digo nada", característica das músicas dos anos 90, quando eu ouvia Sweet Dreams era bem a sensação de 'sonhos encantados de ritmo e dança através da noite' mesmo. Eu amava.






Sweet Dreams, Marilyn Manson - daí chegou Marilyn Manson e transformou meus sonhos encantados de dança em 'sonhos que as pessoas sonham - e algumas sonham em te usar, outras sonham em ser usadas por você, algumas sonham em te abusar e outras sonham em ser abusadas por você'. Marilyn Manson tinha na época toda uma lenda por trás dele que dizia que ele era o Paul, de Anos Incríveis e que ele tinha se revoltado por ter feito um papel de banana por tantos anos na série mais famosa da época e então se pintou e entrou pra música fazendo performances sadomasoquistas pra se vingar de todo o bullying (não existia essa expressão na época) que havia sofrido em sua infância por isso. E então eu digo pra vocês que Marilyn Manson e Matanza fazem mesmo parte de meu gosto musical, talvez exatamente por serem estranhos e chocarem a maioria da população por dizerem verdades em suas músicas. Marilyn Manson trocou meus sonhos por realidade e foi nessa música que eu passei a achar que o cara merecia ter algumas músicas na pasta de mp3 que eu teria no meu computador futuramente. E a versão dele de Tainted Love também é sensacional.






Just a Dream, Nelly - e eu sei que disse lá no primeiro parágrafo a respeito de só gostar e ouvir pop/rock. E é exatamente essa a razão dessa música estar aqui. Apesar de Just a Dream ser uma música de 2010, é de Nelly, um cara que cantou Dilemma, lá em 2002. Uma música que me marcou por tantos motivos e cada vez que eu ouço (e até hoje eu não consigo ouvi-la e continuar sã) me lembra tantas coisas que hoje, na atualidade, só me fazem pensar que tudo foi "just a dream". Nelly foi esse cara que por embalar vários anos da minha vida fez com que hoje eu odiasse todas as rádios "mainstream" da atualidade, porque todas elas só tocam esse R&B / Black Music tããão amado (e que um dia eu também gostei), mas que pra mim hoje só lembram momentos e pessoas das quais eu não quero lembrar. Just A Dream de Nelly mostra imagens e fala uma letra que bate exatamente com meu interior: "hoje eu abro meus olhos e sim, foi apenas um sonho. Deveria ter feito? Deveria ter comprado aquele anel? Porque eu ainda posso sentir isso no ar. Quando eu estou dando um rolê, eu juro ver o rosto dela por qualquer canto. Tentando apagar tudo, eu posso deixar doer." Nelly atualizou Dilemma para Just a Dream. Exatamente nos mesmos compassos da minha vida. E eu odeio ele por isso.






Teenage Dream, Katy Perry - então que quem vive de passado é museu e eu também gosto de músicas atuais. Katy Perry não é nada que se compare com o fenômeno Lady Gaga, e apesar de eu saber que ela ao vivo não canta NADA (just like Ke$ha) e que com certeza ela vive de playback (just like Britney Spears) e que apesar de eu ter visto esses dias o clipe de Last Friday Night e ter achado um absurdo de bizarro (para o sentido ruim) e que mesmo tendo Rebecca Black coadjuvando e apesar de eu ter achado o máximo a lavada na cara que Katy Perry dá nela (algo tipo 'olha como eu faço com muito menos uma música imensamente melhor que a sua sobre uma simples sexta-feira), ainda assim eu conversei com a amiga sobre algo no gosto musical dela ter dado tilt por começar com Creedence Clearwater Revival e terminar com.................... Katy Perry. Mesmo assim, em outras situações, não menosprezo a moça. Tanto, que Teenage Dream é a minha música preferida dela apesar de achar o clipe de California Gurls o máximo. E apesar de "você é um fooooooooogo de artifício" ter uma letra simpática, é em Teenage Dream que eu me acho. Primeiro porque eu acho que ela está linda no clipe, segundo porque essa pegada viajar de carro por um lugar lindo com o sol na cara e vento no rosto aproveitando o dia é super a minha cara (oi, eu sou uma pessoa diurna, à noite eu preciso dormir), e terceiro porque eu acho a letra da música ótima. Essa coisa de gostar da pessoa pelo que ela é, mesmo sendo desastrada e sem maquiagem e curtir as coisas simples da vida, sem preocupações e correndo na praia - eu acho lindo. Viver um teenage dream é tudo o que eu faço quando estou nos momentos mais felizes da minha vida. Tomando sorvete em uma tarde de sol ou conversando sobre coisas inúteis com amigos que me permitem ser quem eu sou sem que eu precise me preocupar com o que eles estão pensando a meu respeito.






Sing for the Moment, Eminem - não, eu não gosto de rap (morram, Racionais). Mas eu vou com a cara do Eminem. Muito provavelmente porque ele é um cara branco fazendo música de negro, como todo mundo diz. Que fez modinha e tals. E daí? Minha preferida dele é Cleaning out my Closet claro, porque música mais dark e polêmica eu não poderia escolher. Eu não sei exatamente porque Eminem resolveu "estragar" a melhor música de todos os tempos, porque de "sonhar" mesmo, a versão dele nada fala. Mas apesar disso fala sobre essa coisa de rigidez da sociedade que pega nos pés dos jovens que usam brincos e fones de ouvido e que ao invés de atingirem seus objetivos tornando seus filhos médicos e advogados, só se bloqueiam na vida deles. E aí tudo fica pior. Eu, adepta dos cabeludos e tatuagens, concordo plenamente. Já cantava Pink Floyd em Another Brick on the Wall.






Dream On, Aerosmith - desculpem. Infelizmente essa música não tem clipe. Mesmo assim, saibam vocês, que é a minha música preferida. DE TODAS. Não, muito se enganou quem pensou que a minha música preferida de todos os tempos seria do Bon Jovi. Não é. É assim, Aerosmith, com Steven Tyler gritando contidamente uma prévia do que gritaria hoje, mas já tão brilhante quanto, lá em 1973. E, apesar de ter sido gravada em 1973, estava eu ali, em 2007, no primeiro grande show de rock da minha vida, cantando (e chorando) a plenos pulmões ali, ao vivo e pessoalmente, junto com essa que é a minha segunda banda preferida. Steven Tyler e eu, eu e Steven Tyler. A MINHA MÚSICA PREFERIDA DE TODAS FALA SOBRE SONHAR. Essa sim, a forma mais pura (e mais real) que a palavra "sonho" pode ter. Sonhar, apesar do passado, apesar do futuro. Sonhar, apesar das dificuldades e dos percalços da vida, que tantas rasteiras nos dá. Sonhar, apesar das pessoas bobas e das sábias que passam em nossas vidas. Apesar de nossos erros e acertos. Apesar do riso e apesar das lágrimas. Sonhar, só por hoje. Sonhar, porque a vida é curta. Sonhar, até seu sonho se realizar.




PS: (quem entendeu porque o título do post se chama #10,5 Dream vai ganhar um beijo!)